quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

"Keep rolling, rolling, life must go on"


Um balanço de final de ano. Desde quando eu não fazia isso? 2010 foi um ano interessante. Ganhei a bolsa de estudos em Pelotas. Não fui. Mesmo com todos me dizendo que uma chance dessas não aconteceria duas vezes. Mentira. Ganhei outra na Unisc. Continuei. Saí do emprego em que trabalhava há sete anos e oito meses. Conquistei novos amigos. Passei noites em claro fazendo trabalhos, jogando conversa fora, ouvindo música e lendo. Lendo muito.
Pessoas chegaram e saíram. Pessoas chegaram e ficaram.
O cabelo ficou grande, viajei pra Caxias, escrevi pouco no blog, não comprei nenhum disco de vinil. Nem CD. Baixei música.
Tudo assim mesmo, sem aparente ligação, mas tudo parte da mesma vida.
Toquei pouco violão, assisti a temporais, me preocupei com nota, quebrei o MP3.
Perdi um amigo. Perdi dois. Doeu. A morte dói. Perdi outros que, por escolha própria, decidiram se afastar. Não me queixo. Não adianta. Talvez, algum dia percebam que minha amizade era sincera.
Viajei de ônibus todo santo dia (exceto aos sábados, domingos, feriados e férias). Ri no ônibus, chorei, li, vi filmes, me estressei com a “música” alheia. Odiei a segunda-feira. Curti a quarta. Fiz poema, ganhei flor, passeei, fiquei em casa. Fui cúmplice do meu cachorro. 

Foto de Cristiane Lautert

Levei a moto para o conserto. Mais de uma vez. Ouvi a mesma música centenas de vezes e tomei banho de chuva. Trabalhei com crianças e com idosos. Continuo sedentária, continuo magra, continuo tendo horários loucos para fazer as refeições. Não tomei muita água, não escrevi um livro e nem fiz o vídeo dos meus sonhos. Não fui para a praia. Não toquei teclado. Não arrumei a fonte queimada do teclado. Fui mais desorganizada do que em 2009. Fazer o que se as pessoas melhoram?
Descobri que há muitos seres com problemas em usar verbos no infinitivo + R.
Defendi causas que não eram minhas. Dei conselhos por MSN. Briguei por MSN. 
Fiz minhas primeiras entrevistas.
Fui o visitante nº “999.999” de, no mínimo, 30 sites. “Não é piada”, como eles gostam de dizer. Fotografei muito e mostrei quase nada. Não arrumei o mouse com a rolagem estragada desde março. Nem o monitor. Para haver consertos é necessário grana. Para haver grana é necessário trabalho. Enviei currículos.
Conheci uma pessoa linda. Vivi cenas de filme. 
Planejei mudar de cidade. Ganhei mais sinais no rosto porque não usei filtro solar. Comi chocolate. Tive alergia. Fiz muitas coisas e deixei de fazer várias outras. A vida é assim. Não dá para alcançar tudo o que se planeja. O que dá para fazer é continuar planejando. Um dia a gente acerta. Ano que vem eu acerto. Ou não. 

"We have our misfortunes
The darkest of days
We must endure and keep strong
Just look to the morning
The promise awaits
And know that this life must go on". (Alter Bridge)



sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Dom Casmurro - Síntese pessoal e análise temática


Escrever, mesmo que poucas palavras, sobre qualquer obra de Machado de Assis é um desafio e tanto. Um dos maiores escritores da língua portuguesa, considerado por mim, o maior expoente da literatura brasileira, Machado consegue ser leve e, ao mesmo tempo, contundente em seus textos.

Dom Casmurro conta a história de Bentinho e Capitolina, ambos respectivamente com idades de 15 e 14 anos. A paixão dos dois não impede que D. Glória, mãe do menino, cumpra sua promessa de enviá-lo para o seminário. Lá, ele conhece Escobar e tornam-se grandes amigos. Bento abandona o seminário, forma-se bacharel em Direito e casa-se com Capitu. Ezequiel, filho do casal, apresenta traços e modos semelhantes aos do amigo Escobar – o que só aumenta as desconfianças de Bentinho quanto à traição da esposa. O casamento entra em crise e o possível adultério faz crescer o ciúme do marido. O tempo transforma-o em um velho solitário, “calado e metido consigo” – o que rende ao protagonista o apelido de Dom Casmurro.

A obra, datada de 1899, é perfeito exemplo da genialidade de Machado: enquanto trata de contar suas memórias e segredar suas desconfianças, o narrador ‘conversa’ com o leitor. Esse recurso, chamado metalinguagem, é amplamente utilizado na narrativa. O livro é dividido em 148 capítulos curtos – muitos deles apresentam apenas um parágrafo -, e percebe-se uma constante preocupação em não entediar o leitor, como pode ser observado no capítulo 101: “Pois sejamos felizes de uma vez, antes que o leitor pegue em si, morto de esperar, e vá espairecer a outra parte; casemo-nos”. Uma atmosfera de intimidade é criada por Machado durante a narrativa. O capítulo 119, por exemplo, é destinado à leitora que abriu o livro para descansar e quer fechá-lo às pressas, ao ver que a história beira “um abismo”. Machado, carinhosamente, escreve: “Não faça isso, querida; eu mudo de rumo”.

O enredo de Dom Casmurro não é linear. Bentinho relata os acontecimentos de acordo com suas lembranças. Sempre que introduz informação desconhecida do leitor, explica-a, e, se preciso, abre capítulo novo para tal:

... Perdão, mas este capítulo devia ser precedido de outro, em que contasse um incidente, ocorrido poucas semanas antes [...] Vou escrevê-lo; podia antepô-lo a este, antes de mandar o livro ao prelo, mas custa muito alterar o número de páginas; vai assim mesmo, depois a narração seguirá direta até o fim. Demais, é curto. (Capítulo 130)

O texto de Machado de Assis é repleto de definições próprias do narrador: “[...] as pernas também são pessoas, apenas inferiores aos braços, e valem de si mesmas, quando a cabeça não as rege por meio de ideias”, (capítulo 13). Além disso, o escritor apresenta suas conclusões pessoais como se ditas pelas coisas que o rodeiam. Conversas com coqueiros velhos e vermes roedores de livros podem ser encontradas na obra:

Um coqueiro, vendo-me inquieto e adivinhando a causa, murmurou de cima de si que não era feio que os meninos de quinze anos andassem nos cantos com as meninas de quatorze; ao contrário, os adolescentes daquela idade não tinham outro ofício, nem os cantos outra utilidade. Era um coqueiro velho, e eu cria nos coqueiros velhos, mais ainda que nos velhos livros. (Capítulo 12)

- Meu senhor, respondeu-me um longo verme gordo, nós não sabemos absolutamente nada dos textos que roemos, nem escolhemos o que roemos, nem amamos ou detestamos o que roemos: nós roemos. (Capítulo 17)

Pressinto, ao escrever essas linhas, que não poderei detalhar tudo quanto gostaria a respeito de Dom Casmurro. Há uma infinidade de características psicológicas das personagens, apresentadas pela perspectiva do protagonista supostamente enganado. Em momento algum fica clara a traição da esposa. Penso que o segredo principal do sucesso da obra, além das características expostas no presente trabalho, seja “o enigma de Capitu”. Tentar decifrá-lo, baseado na versão de um narrador desconfiado, é encarar um desafio e tanto – não me atrevo fazê-lo. Concedo a Capitu – mulher de “olhos de ressaca” e de “cigana oblíqua e dissimulada” -, o benefício da dúvida.

Creio que não há quem leia a obra machadiana e não se surpreenda. Encanta-me a capacidade de prender o leitor, de estabelecer contato numa relação ‘quase-mediada’. Ao terminar a leitura, percebo que, se possível fosse, gastaria horas seguidas ouvindo Machado de Assis falar tal qual em Dom Casmurro.

O ciúme em Dom Casmurro

Machado de Assis, em Dom Casmurro, traça um marcante perfil psicológico de Capitu: risonha, divertida, curiosa e com grande capacidade de dissimulação. A facilidade de sair-se bem em situações embaraçosas e seus olhos de “cigana oblíqua e dissimulada”, acentuaram as desconfianças de Bentinho em relação à traição de Capitu e Escobar. Quando eram jovens, ela dissimulara com desenvoltura em situações difíceis para ambos. Em uma delas, relatada no capítulo 34, o protagonista declara: “Assim, apanhados pela mãe, éramos dois e contrários, ela encobrindo com a palavra o que eu publicava pelo silêncio”. Quando surpreendidos pelo pai, no capítulo 37, não foi diferente: “[...] Capitu não se dominava só em presença da mãe; o pai não lhe meteu mais medo. No meio de uma situação que me atava a língua, usava da palavra com a maior ingenuidade deste mundo”.

Para Pines (apud COSTA, 2005), o “ciúme é uma reação a uma ameaça percebida, real ou imaginária, a uma relação valorizada ou de sua qualidade”. Segundo De Silva, citado por Costa (2005), o ciúme é “expectativa, apreensão de perder o parceiro, ou perder o seu lugar de afeição por parte do parceiro”. Após o casamento, Bentinho demonstra sinais de ciúme ao relatar as idas aos bailes com a esposa:

[...] De dançar gostava, e enfeitava-se com amor quando ia a um baile; os braços é que... Os braços merecem um período. Eram belos, e na primeira noite que os levou nus a um baile, não creio que houvesse iguais na cidade [...] Eram os mais belos da noite, a ponto que me encheram de desvanecimento [...] Já não foi assim no segundo baile; nesse, quando vi que os homens não se fartavam de olhar para eles, de os buscar, quase de os pedir, e que roçavam por eles as mangas pretas, fiquei vexado e aborrecido. (Capítulo 105)

Segundo Betty Joseph (1992, p. 185), o ciúme envolve três pessoas e apresenta vários graus de intensidade, podendo chegar a extremos: delírios e descargas agressivas. No capítulo 136, Bentinho cogita suicídio: “O meu plano foi esperar o café, dissolver nele a droga e ingeri-la”. No capítulo seguinte, ele oferece o café com a droga ao filho, mas recua e quando dá por si, está a “beijar doidamente a cabeça do menino”. Seriam esses extremismos causados pela dúvida movida pelo ciúme?

Quando Escobar morre e é velado, Bentinho observa Capitu: “[...] A confusão era geral. No meio dela, Capitu olhou alguns instantes para o cadáver, tão fixa, tão apaixonadamente fixa, que não admira saltassem algumas lágrimas poucas e caladas...” Ele via sinais e não se pode afirmar se eles eram claros ou turvos pelo ciúme.

No capítulo 138, o casal discute e Capitu é acusada de traição pelo marido ciumento. A esposa retruca “em um tom juntamente irônico e melancólico: - Pois até os defuntos! Nem os mortos escapam aos seus ciúmes!” A Bíblia Sagrada, em Provérbios, capítulo 6, versículo 4, diz que “o ciúme excita o furor do marido”; em Cantares de Salomão, capítulo 8, versículo 6, o esposo diz à amada: “Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte e duro como a sepultura é o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, são veementes labaredas”.

Não é possível definir se havia fundamento na suspeita de Bentinho. O ciúme excitou-lhe a desconfiança e, como sepultura, enterrou o casamento que começara feliz. As labaredas queimaram a possibilidade de entendimento e reconciliação. Bento conta sua história, solitário e amargurado pela convicção de que fora traído. Ele encerra: “[...] qualquer que seja a solução, uma coisa fica, [...] a minha primeira amiga e o meu maior amigo [...] quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me... A terra lhes seja leve!”

Análise produzida para a disciplina de Leitura e Produção de Textos III, ministrada pelo professor Elenor José Schneider. UNISC. Curso de Comunicação Social - Jornalismo. Novembro 2010.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Fascinação pela escrita

Escreve quem lê e quer ser lido. Prestigiado. Comentado. Criticado, por que não? Antes a crítica do que o silêncio absoluto. Escreve quem quer agradar. Compartilhar. Desabafar. Escreve quem gosta. E eu gosto. É a escrita que ouve as palavras que não têm pretensão de sair da minha boca. É o papel (mesmo que virtual) que recebe as impressões da alma. O papel entende. A escrita perdoa. A alma agradece.

Escrever me fascina pelas muitas possibilidades que oferece: posso guardar segredos, revelá-los mais tarde, contar a realidade ou fugir para longe dela. Posso sangrar em um poema e ironizar em uma frase. Posso me resumir a palavras e esperar que compreendam as entrelinhas.

A arte de escrever, como toda arte, não é fácil: exige dedicação, inspiração e transpiração. Exige começo e recomeço, sempre e sempre e sempre. Ben Bradlee, sabiamente, disse que escrever é habilidade adquirida e esse é, talvez, o ingrediente mais fascinante da escrita: a imposição de olhar o “produto final” e saber que “ainda não está bom”. Falando nisso... esse texto ainda pode melhorar.

O dia em que um cachorro me entendeu

Vários acontecimentos marcaram minha vida ao longo dos meus "vinte e poucos anos". Vivenciei muitos momentos alegres, mas também sofri perdas irreparáveis e tristezas profundas. Foi num desses dias em que a tristeza não cabia no peito, que saí sem rumo para aliviar a dor. Fui até a bela Lagoa Armênia, sentei-me em um banco e chorei olhando para aquelas águas. Mergulhada em meus pensamentos, percebi que não estava sozinha. Ao meu lado, sentado, como se entendesse toda a tristeza que eu sentia, um cachorro. Arrastou-se, devagarinho, e deitou-se, apoiando sua cabeça em meus pés. Baita folgado, aquele cusco! (Muito) Original que sou, batizei-o de Amarelo - um novo amigo sempre precisa de um nome ou apelido. Lá ficamos, fazendo companhia um ao outro. Era disso que precisávamos.

A história não acabou nesse dia. Tempos depois, eu e alguns amigos nos reunimos na Lagoa Armênia – era Natal Açoriano. Estávamos sentados em um banco, olhando o movimento, e quem chega "na maior"? O Amarelo! Ele mesmo! Poliglota que sou, conversei um pouco com ele, que sentou-se, apoiando novamente a cabeça em meus pés. "É absolutamente improvável que isso esteja acontecendo!" - pensei. Mas aconteceu. Lá estava o danado, dessa vez, não compartilhando minha tristeza, mas a companhia dos meus amigos. Era disso que precisávamos!

O odiado operador de telemarketing

Ta na na na na na na na na na na
Um momento, senhor.
Ta na na na na na na na na na na
Mais um momento, por favor.
Ta na na na na na na na na na na
Obrigada por aguardar, senhor. Em que posso “estar ajudando”?
É... Cedo ou tarde, todo brasileiro acaba enfrentando um operador de telemarketing. Digo “enfrentando”, porque perde-se um tempo razoável solicitando ou tentando cancelar algum tipo de serviço. É uma verdadeira batalha, da qual nem sempre saímos vencedores. O telemarketing é um dos ramos que mais gera empregos atualmente. Isso é bom! Afinal, quanto mais operadores existirem, mais fácil fica a nossa vida, “e todos vivem felizes para sempre”. Bem, acredita-se que as centrais de atendimento servem para facilitar as nossas vidas. Pelo menos, deveriam...
Os atendentes, que “deveriam estar respondendo” às nossas dúvidas, enchem-nos de perguntas. O interrogatório inclui nome, nossos quatro primeiros dígitos do CPF, código de área, e por aí vai. Conseguir falar com um deles já é uma vitória. Não é raro ouvirmos de uma gravação: “Por favor, aguarde. No momento, todos os nossos atendentes estão ocupados.” É de rir. De nervoso. O tempo urge!
Com a correria que enfrentamos no dia a dia, a batalha com o “alguém do outro lado da linha” transforma-se em um teste de paciência e tolerância. Embora consigamos vencer o operador de telemarketing, acabamos reprovados no teste. Haja paciência!
- Posso ajudá-lo em mais alguma coisa?
- Não.
- A empresa agradece. Tenha um bom dia.

Livro material ou virtual? Eis a questão


É química. Para mim, livro é "pura química". Gosto de tocar o papel e de sentir o cheiro. Gosto de ler deitada (não, não tenho notebook). Gosto de colocar todos aqueles personagens na bolsa e carregá-los comigo para cima e para baixo. É prazeroso saber que minhas mãos comportam uma história inteira, carregam vidas e emoções de toda aquela gente.
Livros virtuais não fazem meu estilo. Embora economizem papel, não preenchem minha estante. Pode parecer egoísmo, – “Tu não pensas nas árvores e em todo o papel utilizado?” – mas não é. Sim, penso. E todo o papel utilizado é muito bem guardado, lido, emprestado e devolvido à estante lá de casa.
Ebooks são tendência e não há nada de errado com isso. Vários livros cabem em um minúsculo pendrive e muito papel é economizado. Além disso, ler na tela do monitor é uma ótima opção para os “ratos de internet”, que passam o dia colados à “caixinha mágica”. Sou um desses “ratos de internet”. Passo o dia no PC e não canso, mas digo dos livros virtuais: "cansam os olhos". Isso é desculpa - esfarrapada como todas as desculpas! É que prefiro o papel, mesmo. Livro? Ah! Livro é "coisa de pele".

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Mário Paixão

Este texto não será revisado. Não quero revisão, quero que ele sangre. Quero que sangre. Quero que as palavras jorrem, fluam, assim como as lágrimas em meus olhos insistem em cair. Mário Paixão, meu amigo! Partiste. E a tua ausência, a tua não presença nesse mundo dói demais. Acabo de saber de tua partida. Recorro, portanto, às palavras, aos textos, ao que mais tínhamos em comum. Poeta querido... O que faremos sem essa tua paixão que não era só teu sobrenome, mas que era tua essência e que contagiava a todos? Não tive o prazer de te conhecer pessoalmente. E isso faz doer mais.
Saudade das tuas palavras, como nesse e-mail:
E ai querida*fiquei feliz quando recebi teu email*respondi na hora em que recebi, pois quando havia te enviado aquele em que se fala do tempo que não se tem, recebi este aqui*
Escrevi que acho que estou ficando meio jegue*não consegui colocar cor, tamanho ou o tipo da fonte*contei que não consigo escrever minhas considerações no teu blog*enfim, coisas que não consigo fazer no computador*pois depois de escrever tudo*inclusive uma mensagem bonita pra ti, que dizia que tudo que tu quizeres tu vais conseguir* que estas criando o teu universo o teu mundo*conquistando ele a cada dia*a cada movimento e que deves ficar feliz em conquistar as coisas que queres e ser feliz, mesmo não tendo ainda conseguido, pois as coisas são mesmo batalhadas*disse tambem que tenho por ti grande apreço*que vibro com todas as tuas vitorias*
Disse tambem que acho que fomos proximos em alguma vida por nós vivida, talvez amigos, parentes, sei la, algo assim*foi tão belo o que escrevi que no final eu disse>>credo ! este sou eu falando*
Depois de tudo escrito, EU APERTEI O BOTÃO ERRADO E APAGUEI TUDO*
Fiquei tão, tão...tão, que sai do computador.
Este era você. O "véio não mente"
Fizeste a diferença, e justamente por isso, deixarás tanta falta. Levarei tua lembrança para sempre. E caso eu realmente escreva o tal livro aquele, a dedicatória continuará sendo para ti.

Com amor,
da amiga,
Cris.
Imagem retirada do blog do Mário.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Traga!

Ah! Por favor, venha com a cara lavada.
Não deslavada. Repito: lavada!
Venha e traga uma dose de loucura para acompanhar meus súbitos impulsos de voltar a ser criança. Coloque esses pés no chão, mas não para ter razão - só corra comigo na chuva! Traga,  junto com a dose de loucura, um tanto de lucidez, mas só o suficiente para aplacar a minha emoção, para equilibrar as coisas, colocar tudo no seu devido lugar. Bem sabes que sou desorganizada. Não o sabes?

Deixe os teus olhos bem abertos! Eles são janelas e, por elas, posso querer contemplar o mundo, debruçada sobre a vida, com as mãos no queixo e a cabeça em algum lugar. 
Traga o silêncio - nem sempre gosto de falar. 
Traga a paciência - você pode precisar.
Traga a si mesmo - vou precisar de tudo.
(28/04/2010)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Verso Triste

Um portão cinza
Sem tinta
Só cinza, metal
Um jardim morto
Sem vida
Só folhas, vendaval.
Permanecia
Sentada
Sozinha
Vazia.
E nessa cena, meu Deus, quanta lástima!
Brilhava no olho de uma guria
(Se é que tristeza tem brilho)
O único brilho que vi nesse dia:
O brilho de uma lágrima.




Eu, comigo

Estou fechada para balanço.
Só eu e eu, embaladas por música.
Não quero algema! Quero pulseira!
Quero alma leve e pés no chão,
Descalços,
Que é pra não perder a leveza quando se precisa ser racional.
Nada de expectativas, decepções,
Lágrimas, acusações,
Quero céu claro ou assistir ao temporal
Deixe-me com meu blues! Deixe-me com meu rock!
Tanto faz! 

O balanço está bom assim.
Só eu, comigo,
Cuidando de mim.”


sábado, 3 de abril de 2010

A vida é poesia!



- E se um dia eu voltar a te procurar?
- Conversaremos e daremos risadas.
- Será que você está tão triste quanto eu?
- Não posso medir a tristeza dos outros. A minha já basta.
E ambos, parados, com a mão no rosto e olhos fixos no monitor, sabiam que nada mais havia a ser escrito.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Fotos 3x4 e um trauma

Lendo a interessante coluna “Fatos Sem Fotos”, de Lenio Cardoso Fregapani, que falava a respeito dos “retratos” dos colunistas do jornal "O Açoriano", lembrei-me do meu trauma quanto às fotos 3x4. Elas não são meu ponto forte. Nunca serão. O que me conforta é saber que não sou a única pessoa no mundo com problemas em relação a isso. Raramente encontro alguém que não relute em mostrar o documento de identidade. A culpa é da foto.
Lembro-me de ter que tirar os brincos para fazer a foto. Nem adiantou argumentar que os brincos faziam parte de mim. Não adiantou dizer que não saía de casa sem eles. A instrução era clara: nada de brincos, nada de sorrisos.
Dia desses, fui atendida no banco por um simpático caixa que, para descontar o cheque, precisava dar uma espiada no meu RG. Avisando-o quanto a um possível susto, retirei o documento da bolsa e coloquei-o com a foto de encontro ao balcão. Sim! Rostinho virado para baixo. Era lógico que ele teria que olhar para a foto, mas se eu pudesse evitar ou retardar isso, melhor. É necessário que eu explique: a foto do meu RG é da boa e velha época em que eu tinha 14 anos, bochechas salientes e sobrancelhas de formatos diferentes.
Cavalheiro, o caixa compartilha comigo sua foto do crachá. Não a considerei pior do que a minha. Nada supera a foto do meu RG! Mas, essa “troca de figurinhas” serviu de consolo e descontraiu o momento.
Recentemente, tive que fazer novas fotos. O estoque das fotos feias havia acabado e eu precisava de mais. Sem grandes expectativas, deixei o cabelo como estava, tirei os brincos, fiz uma “cara” séria e, com vontade de rir, fui enquadrada novamente dentro das famosas proporções 3x4 que, assim como a maioria das pessoas, continuarei tendo vergonha em mostrar.
Bom seria se, em vez de sairmos nas fotos como dificilmente sairemos em público, pudéssemos colocar nosso melhor sorriso no rosto e esperar o flash! Seria um prazer apresentar o RG, não?

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Velha Infância!

Ah! Como era bom ser criança! Tempo bom que deixa saudades e que não volta mais. Tenho recordado com muita frequência as coisas boas da infância. Isso só pode ser um sintoma de DNA (Data de Nascimento Avançada). E que seja!
Tão boas foram as recordações, que a criança adormecida despertou e resolveu ir comprar doces. A diferença? Em outras épocas não dividiria os doces com mais ninguém. Dessa vez, comprei-os como presente a alguém que relembrou o passado comigo. Quanta nostalgia!
Lembra do Mu-mu de saquinho? Das canetas de 10 cores com cheiro de frutas? Do sorvete seco (ou sorvete quente), que vinha com um balão em cima? E do merengão, alguém lembra? Do pirulito vermelho em formato de bico (chupeta)? Do chocolate em formato de guarda-chuva? Alguém mais ia à “venda” e, com uns poucos trocados, pedia “tudo de bala”? E mesmo sem saber o quanto exatamente poderia comprar com os trocados, conferia de perto se o “tio” da “venda” estava contando as balas corretamente?
Lembro-me do corte de cabelo Chitãozinho e Xororó e das roupas dos anos 80. Dos Trapalhões, da Angélica, da Xuxa, da Mara Maravilha, do Jaspion, do Jiraya, dos Smurfs, da Caverna do Dragão, do Pica Pau, dos Ursinhos Carinhosos, dos Power Rangers, da TV Colosso, do Chaves e do Chapolim. Lembro-me dos quadrinhos, da escola, dos amigos que ficaram no tempo e das histórias que o pai contava sobre a floresta de Sherwood.
Lembro-me de ter medo de avião. De brincar de perna de pau, de bambolê e de pular elástico. Lembro-me das cantigas de roda, de brincar de esconder e de subir em árvores. Lembro-me de ter como brinquedo preferido uma boneca com a cara toda amassada. Lembro-me da mola maluca, do ioiô, dos aniversários cheios de crianças, de brincar de barro, de casinha, de atirar pedra nos outros (vejam só que coisa saudável).
Lembro-me de tanta coisa boa! A verdade que não quer calar é: esse texto não tem pretensão alguma. Se, com ele, eu conseguir fazer com que você volte ao passado e relembre a sua infância e seus detalhes deliciosos, já me dou por satisfeita. Agora, se você estiver sorrindo neste exato momento, meu caro, ganhei o dia!

domingo, 17 de janeiro de 2010

Mas, já?

E eis que, na marca final dos meus 25 anos, surge o primeiro fio de cabelo branco. É, meu amigo... O tempo passa para todos! Não há como fugir. Mais cedo ou mais tarde a idade chega e, com ela, os “efeitos colaterais” do tempo.
Meu cabelo é rebelde por natureza. Inconsequente, parece ter vida própria, resolvendo acordar nos seus dias de fúria justamente quando mais preciso dele com o comportamento exemplar. No trabalho, enquanto lavava as mãos em frente ao espelho e avaliava o nível de rebeldia do cabelo naquela manhã, um deles (mais rebelde do que os demais), chamou-me a atenção. Destacou-se em meio a tantos outros. Branco. Absolutamente branco. E enorme! “Já? Como eu não vi isto antes?”- Pensei. Dividi a novidade com várias pessoas naquele dia, num misto de negação e risadas. Negação, pois só esperava por isso mais tarde. Risadas, pois ainda vai demorar bastante para essa cabeleira toda ficar branca. Alívio.
Por mais que saibamos que o tempo corre para todos, nada percebemos até que nosso corpo comece a dar alguns sinais: umas rugas aqui (carinhosamente chamo-as de “linhas de expressão”), uma flacidez ali, um cabelo branco que se revela acolá... Embora, esteticamente falando, esses sinais não sejam atraentes, podemos notar algumas mudanças positivas com o passar do tempo. Mudanças que servem como ponto de equilíbrio e, até mesmo, de consolo para os que não estão acostumados com a ideia do envelhecimento. Não é bem mais fácil acreditarmos que estamos ficando melhores? E não é verdade? Ficamos mais maduros, conscientes, experientes e sensatos. Pelo menos, isso é o que esperamos do lado bom da ação do tempo.
Os sinais da velhice têm lenta progressão, mas é o hoje que determina as memórias que teremos no futuro. O agora! Esse exato momento! Espero que as mudanças físicas venham acompanhadas de aprendizado e conhecimento. Que saibamos plantar no agora para colher no futuro. Já que não permaneceremos jovens para sempre, ao menos, façamos do hoje algo memorável e valioso.
O maior bem que poderemos ter no futuro são as recordações. Do que você lembrará?

“Já me disseram que cabelos brancos indicam
sabedoria,
bons conselhos,
convivência,
experiência.
Já me disseram que rugas são sinais do tempo,
do riso e do choro,
do sofrimento.
Já me disseram que um olhar perdido no horizonte
traz lembranças, saudades,
esperanças...
Se isso for verdade, quero todos os cabelos brancos que puder ter.
Todas as rugas e marcas do tempo.
Quero deixar o olhar no horizonte, lembrar de tudo e, afinal, saber que valeu a pena.”

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Yes Man!

Foi depois de dar algumas risadas com o filme “Sim Senhor” (Yes Man), que parei para pensar sobre as oportunidades que surgem em nossas vidas. “Sim Senhor” é daqueles filmes que, além de engraçados, trazem algo de bom a quem assiste: a boa e velha “moral da história”. Carl, interpretado por Jim Carrey, é um sujeito negativo que não liga para os amigos, preferindo passar seu tempo livre sozinho. Ele é convidado por um antigo conhecido para participar de um “culto” de autoajuda. Decide ir, e sai de lá com um pacto: dizer sim para todas as oportunidades que surgirem (absurdas ou não). A prova de fogo começa logo na saída do “culto": um mendigo pede carona a Carl. Não bastando, pede para usar seu celular. Ele diz “sim” para essa nova “oportunidade” e, a partir daí, coisas inesperadas passam a acontecer em sua vida. É o poder do sim e seus efeitos ‘colaterais’.
Claro que o filme tem seus exageros (hey, é Jim Carrey!), afinal, dizer sim para tudo, definitivamente, não é a melhor escolha. A moral da história é justamente essa: Estar aberto para as possibilidades que a vida oferece pode ser ótimo e render bons frutos, desde que haja um filtro. Desde que o “sim” seja arbitrário.
Perdemos muitas oportunidades interessantes por estarmos acostumados a dizer “não”. O “não” do preconceito, do medo, da preguiça e da indiferença.
“Não gosto daquela pessoa.”
“Não quero tentar isso.”
“Não vou.”
“Não me interessa.”
Pode ser divertido dizer sim, por exemplo, quando o assunto for um desafeto. Ou você nunca disse “não vou com a cara do fulano”, e, depois que o conheceu, passou a admirá-lo? É... O “sim” pode revelar a pessoa especial por trás da máscara de bicho-papão. O “sim” também pode fazer com que você vença desafios, obstáculos e limites pessoais. O “sim” só não deve contrariar seus valores. Use o “sim” para ajudar, para aprender, para conhecer e mudar conceitos.


“Uma pessoa que ama diz “sim” para a vida, “sim” para a alegria, “sim” para o conhecimento, “sim” para as pessoas, “sim” para as diferenças.
Sabe que todas as coisas e todas as pessoas têm algo a lhe oferecer, que todas as coisas estão em todas as coisas. Se “sim” for muito ameaçador, tente um “talvez”. (Leo Buscaglia)