quarta-feira, 28 de abril de 2010

Traga!

Ah! Por favor, venha com a cara lavada.
Não deslavada. Repito: lavada!
Venha e traga uma dose de loucura para acompanhar meus súbitos impulsos de voltar a ser criança. Coloque esses pés no chão, mas não para ter razão - só corra comigo na chuva! Traga,  junto com a dose de loucura, um tanto de lucidez, mas só o suficiente para aplacar a minha emoção, para equilibrar as coisas, colocar tudo no seu devido lugar. Bem sabes que sou desorganizada. Não o sabes?

Deixe os teus olhos bem abertos! Eles são janelas e, por elas, posso querer contemplar o mundo, debruçada sobre a vida, com as mãos no queixo e a cabeça em algum lugar. 
Traga o silêncio - nem sempre gosto de falar. 
Traga a paciência - você pode precisar.
Traga a si mesmo - vou precisar de tudo.
(28/04/2010)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Verso Triste

Um portão cinza
Sem tinta
Só cinza, metal
Um jardim morto
Sem vida
Só folhas, vendaval.
Permanecia
Sentada
Sozinha
Vazia.
E nessa cena, meu Deus, quanta lástima!
Brilhava no olho de uma guria
(Se é que tristeza tem brilho)
O único brilho que vi nesse dia:
O brilho de uma lágrima.




Eu, comigo

Estou fechada para balanço.
Só eu e eu, embaladas por música.
Não quero algema! Quero pulseira!
Quero alma leve e pés no chão,
Descalços,
Que é pra não perder a leveza quando se precisa ser racional.
Nada de expectativas, decepções,
Lágrimas, acusações,
Quero céu claro ou assistir ao temporal
Deixe-me com meu blues! Deixe-me com meu rock!
Tanto faz! 

O balanço está bom assim.
Só eu, comigo,
Cuidando de mim.”


sábado, 3 de abril de 2010

A vida é poesia!



- E se um dia eu voltar a te procurar?
- Conversaremos e daremos risadas.
- Será que você está tão triste quanto eu?
- Não posso medir a tristeza dos outros. A minha já basta.
E ambos, parados, com a mão no rosto e olhos fixos no monitor, sabiam que nada mais havia a ser escrito.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Fotos 3x4 e um trauma

Lendo a interessante coluna “Fatos Sem Fotos”, de Lenio Cardoso Fregapani, que falava a respeito dos “retratos” dos colunistas do jornal "O Açoriano", lembrei-me do meu trauma quanto às fotos 3x4. Elas não são meu ponto forte. Nunca serão. O que me conforta é saber que não sou a única pessoa no mundo com problemas em relação a isso. Raramente encontro alguém que não relute em mostrar o documento de identidade. A culpa é da foto.
Lembro-me de ter que tirar os brincos para fazer a foto. Nem adiantou argumentar que os brincos faziam parte de mim. Não adiantou dizer que não saía de casa sem eles. A instrução era clara: nada de brincos, nada de sorrisos.
Dia desses, fui atendida no banco por um simpático caixa que, para descontar o cheque, precisava dar uma espiada no meu RG. Avisando-o quanto a um possível susto, retirei o documento da bolsa e coloquei-o com a foto de encontro ao balcão. Sim! Rostinho virado para baixo. Era lógico que ele teria que olhar para a foto, mas se eu pudesse evitar ou retardar isso, melhor. É necessário que eu explique: a foto do meu RG é da boa e velha época em que eu tinha 14 anos, bochechas salientes e sobrancelhas de formatos diferentes.
Cavalheiro, o caixa compartilha comigo sua foto do crachá. Não a considerei pior do que a minha. Nada supera a foto do meu RG! Mas, essa “troca de figurinhas” serviu de consolo e descontraiu o momento.
Recentemente, tive que fazer novas fotos. O estoque das fotos feias havia acabado e eu precisava de mais. Sem grandes expectativas, deixei o cabelo como estava, tirei os brincos, fiz uma “cara” séria e, com vontade de rir, fui enquadrada novamente dentro das famosas proporções 3x4 que, assim como a maioria das pessoas, continuarei tendo vergonha em mostrar.
Bom seria se, em vez de sairmos nas fotos como dificilmente sairemos em público, pudéssemos colocar nosso melhor sorriso no rosto e esperar o flash! Seria um prazer apresentar o RG, não?