quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Fascinação pela escrita

Escreve quem lê e quer ser lido. Prestigiado. Comentado. Criticado, por que não? Antes a crítica do que o silêncio absoluto. Escreve quem quer agradar. Compartilhar. Desabafar. Escreve quem gosta. E eu gosto. É a escrita que ouve as palavras que não têm pretensão de sair da minha boca. É o papel (mesmo que virtual) que recebe as impressões da alma. O papel entende. A escrita perdoa. A alma agradece.

Escrever me fascina pelas muitas possibilidades que oferece: posso guardar segredos, revelá-los mais tarde, contar a realidade ou fugir para longe dela. Posso sangrar em um poema e ironizar em uma frase. Posso me resumir a palavras e esperar que compreendam as entrelinhas.

A arte de escrever, como toda arte, não é fácil: exige dedicação, inspiração e transpiração. Exige começo e recomeço, sempre e sempre e sempre. Ben Bradlee, sabiamente, disse que escrever é habilidade adquirida e esse é, talvez, o ingrediente mais fascinante da escrita: a imposição de olhar o “produto final” e saber que “ainda não está bom”. Falando nisso... esse texto ainda pode melhorar.

O dia em que um cachorro me entendeu

Vários acontecimentos marcaram minha vida ao longo dos meus "vinte e poucos anos". Vivenciei muitos momentos alegres, mas também sofri perdas irreparáveis e tristezas profundas. Foi num desses dias em que a tristeza não cabia no peito, que saí sem rumo para aliviar a dor. Fui até a bela Lagoa Armênia, sentei-me em um banco e chorei olhando para aquelas águas. Mergulhada em meus pensamentos, percebi que não estava sozinha. Ao meu lado, sentado, como se entendesse toda a tristeza que eu sentia, um cachorro. Arrastou-se, devagarinho, e deitou-se, apoiando sua cabeça em meus pés. Baita folgado, aquele cusco! (Muito) Original que sou, batizei-o de Amarelo - um novo amigo sempre precisa de um nome ou apelido. Lá ficamos, fazendo companhia um ao outro. Era disso que precisávamos.

A história não acabou nesse dia. Tempos depois, eu e alguns amigos nos reunimos na Lagoa Armênia – era Natal Açoriano. Estávamos sentados em um banco, olhando o movimento, e quem chega "na maior"? O Amarelo! Ele mesmo! Poliglota que sou, conversei um pouco com ele, que sentou-se, apoiando novamente a cabeça em meus pés. "É absolutamente improvável que isso esteja acontecendo!" - pensei. Mas aconteceu. Lá estava o danado, dessa vez, não compartilhando minha tristeza, mas a companhia dos meus amigos. Era disso que precisávamos!

O odiado operador de telemarketing

Ta na na na na na na na na na na
Um momento, senhor.
Ta na na na na na na na na na na
Mais um momento, por favor.
Ta na na na na na na na na na na
Obrigada por aguardar, senhor. Em que posso “estar ajudando”?
É... Cedo ou tarde, todo brasileiro acaba enfrentando um operador de telemarketing. Digo “enfrentando”, porque perde-se um tempo razoável solicitando ou tentando cancelar algum tipo de serviço. É uma verdadeira batalha, da qual nem sempre saímos vencedores. O telemarketing é um dos ramos que mais gera empregos atualmente. Isso é bom! Afinal, quanto mais operadores existirem, mais fácil fica a nossa vida, “e todos vivem felizes para sempre”. Bem, acredita-se que as centrais de atendimento servem para facilitar as nossas vidas. Pelo menos, deveriam...
Os atendentes, que “deveriam estar respondendo” às nossas dúvidas, enchem-nos de perguntas. O interrogatório inclui nome, nossos quatro primeiros dígitos do CPF, código de área, e por aí vai. Conseguir falar com um deles já é uma vitória. Não é raro ouvirmos de uma gravação: “Por favor, aguarde. No momento, todos os nossos atendentes estão ocupados.” É de rir. De nervoso. O tempo urge!
Com a correria que enfrentamos no dia a dia, a batalha com o “alguém do outro lado da linha” transforma-se em um teste de paciência e tolerância. Embora consigamos vencer o operador de telemarketing, acabamos reprovados no teste. Haja paciência!
- Posso ajudá-lo em mais alguma coisa?
- Não.
- A empresa agradece. Tenha um bom dia.

Livro material ou virtual? Eis a questão


É química. Para mim, livro é "pura química". Gosto de tocar o papel e de sentir o cheiro. Gosto de ler deitada (não, não tenho notebook). Gosto de colocar todos aqueles personagens na bolsa e carregá-los comigo para cima e para baixo. É prazeroso saber que minhas mãos comportam uma história inteira, carregam vidas e emoções de toda aquela gente.
Livros virtuais não fazem meu estilo. Embora economizem papel, não preenchem minha estante. Pode parecer egoísmo, – “Tu não pensas nas árvores e em todo o papel utilizado?” – mas não é. Sim, penso. E todo o papel utilizado é muito bem guardado, lido, emprestado e devolvido à estante lá de casa.
Ebooks são tendência e não há nada de errado com isso. Vários livros cabem em um minúsculo pendrive e muito papel é economizado. Além disso, ler na tela do monitor é uma ótima opção para os “ratos de internet”, que passam o dia colados à “caixinha mágica”. Sou um desses “ratos de internet”. Passo o dia no PC e não canso, mas digo dos livros virtuais: "cansam os olhos". Isso é desculpa - esfarrapada como todas as desculpas! É que prefiro o papel, mesmo. Livro? Ah! Livro é "coisa de pele".