terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Falhas da modernidade

O telefone da adolescente toca:
- Filha, deixei a roupa na máquina de lavar. Tá tudo pronto. O sabão em pó e o amaciante já estão lá. É só apertar o botão para ligar.
- Só isso mesmo? Não tem mais nada que eu precise fazer?
- Não. A máquina faz todo o trabalho sozinha. Um conforto só. Liga, que ela faz o resto.
- Tá.
...
Horas depois...
- Alô, mãe, olha só... A máquina não fazia tudo? 
- Fazia, filha. Por quê?
- Sei lá... Faz um tempão que tô espiando lá fora e as roupas ainda não foram para o varal.



sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Dois links


1) Pai, mãe, saí no jornal: Taquariense está entre os 13 novos escritores revelados por concurso literário 

2) Crônica "A dor do outro", publicada no Unicom - jornal-laboratório do curso de Comunicação Social da Unisc (espia na página 2):


.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Espera um pouco mais

- Não acredito que vou perder meu horário de almoço na fila por falta de atendentes
nos guichês.
- Pois é...
- Onde eles estão, hein?
- Devem estar almoçando...

Quem cria raízes nas filas de agências bancárias,  Correios e demais estabelecimentos, logo percebe que os funcionários não retornam do almoço. Eles nem saíram. Eles não existem. É lei municipal aqui e ali: as agências devem colocar à disposição dos usuários, pessoal suficiente no setor de caixas, para que o atendimento seja realizado em tempo razoável – em média, 30 minutos. Definitivamente, o que considero tempo aceitável de espera na fila, destoa, de forma gritante, do que consideram as agências. Resta-me encarar o tempo despendido como oportunidade para melhorar minhas habilidades nos campos da resistência e da observação.

Encaro as demoradas esperas como uma bateria de testes a qual devo me submeter para ser admitida no mundo das pessoas adultas – aquelas que pagam as contas, enviam cartas ou recebem as indesejadas notificações de dívidas.  O primeiro teste é simples: tem por intuito analisar minha habilidade de escolha. Opto, obviamente, pela fila menor. Descubro, no entanto, que esta é a que anda mais devagar. Eis o segundo teste: avaliar minha capacidade de permanência, de otimismo, de esperança. “Daqui a pouco melhora”. Os testes não param. Testa-se a resistência das articulações, o funcionamento do sistema circulatório, e, sobretudo, a paciência.

Confesso que tenho dificuldades em acertar a idade dos indivíduos.  Aproveito, então, o “chá de banco” para me aperfeiçoar na prática. Dirijo a atenção à fila de idosos, deficientes e gestantes. Percebo que as pessoas andam muito bem conservadas. Não há rugas em alguns rostos masculinos da fila, não há sinal algum de deficiência, e, claro, de
gravidez. Pergunto-me, intrigada, por que não se encontram na fila em que estou. Não obtenho resposta e concluo: minha inaptidão para adivinhar idades é irreversível.  O mesmo acontece com o tempo de gestação de certas mamães. Simplesmente não atino.

Quem esperou até agora, espera um pouco mais.  Talvez, em pouco tempo, o bom senso chegue às agências de braços dados com os atendentes que faltam. Será uma entrada triunfal. Todos os testados em filas – tanto os observadores, como eu, quanto os observados -, aplaudirão de pé, obviamente, o fato histórico: o dia em que as leis municipais foram respeitadas e, consequentemente, os clientes do mundo adulto. Até lá, espera, criança! A fila anda. Devagar, mas anda.

_______________________________________________________________________________
2º lugar na categoria "Crônica", no 3º Concurso Literário da Academia Literária do Vale do Taquari (Alivat). Publicada no livro Escritos/Escritores - Coletânea III.

.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Ópera

Tinha o nome glamoroso, mas não passava de um prédio simples, espremido entre tantos outros no centro da cidade. De estrelas, o hotel era pobre. Não tinha cinco. Nem quatro. Nem três. Nem duas míseras estrelinhas. Numa classificação geral – e quem viu não me deixa mentir -, o “céu” do estabelecimento estaria mais para uma noite escura e tempestuosa: zero de estrelas. 

Deixe alguém reservar hotel para você e descubra, sozinha, no que se meteu – pensei, logo que vi a fachada do hotel. O táxi partira. A mochila esperava no chão da calçada. O sorriso misterioso do taxista, assim que mencionei o destino, só faria sentido mais tarde: era “hotel de má reputação”. Na recepção, três caras conversavam. Pararam a conversa imediatamente após minha chegada. Atrás do balcão, um rosto surpreso me examinava. Na parede, atrás do homem, a sentença do castigo:
 
Quarto Single: R$ 37

- Os hotel tão tudo cheio – disse o atendente. Pareceu-me até que levantaria as mãos e, num gesto de quem se desculpa, diria: “é o que tem pra hoje”. Mas não havia necessidade. Era o que tinha e eu o sabia muito bem. Subi os degraus da escada agradecendo mentalmente pelo fato de ser um palito, “gorda como um prego”. Dessa forma, não ofereceria riscos à integridade da escada, que apresentava rachaduras capazes de deixar envergonhada qualquer placa tectônica que ousasse se movimentar. A integridade do prédio, aliás, era um tanto quanto relativa. Era íntegro porque ainda não havia desmoronado.

E o que era ópera foi virando marcha. Fúnebre. Foi perdendo o ritmo, a afinação.
Enquanto eu – sim, eu mesma - carregava a mochila escada acima, ouvia uma ou outra porta sendo aberta. Não se sabe por que, nem de onde vem “essa força estranha” que impele as pessoas a espiarem nos corredores – pelo menos nos do Ópera - assim que ouvem passos. Especulo que a causa seja a decoração interna, escassa de atrativos que prendam o olhar: a cama, as paredes pintadas com tinta cor-de-coisa-nenhuma, e o guarda-roupa crivado de adesivos e declarações de amor, esculpidas na base do estilete ou rabiscadas pela boa e velha caneta. Atraentes são os que fazem barulho no corredor. Os que conversam baixinho. As mulheres que denunciam sua presença com o toc toc  dos sapatos de salto.

Minha tese – que iria longe - sobre a “espiadela hoteleira” foi esquecida no momento em que fui apresentada ao banheiro.
Não. Não era no quarto: eu ainda estava a caminho.
Não. Não era um banheiro. Eram dois: um para os homens, outro para as mulheres. Na ausência de concorrentes do sexo oposto, os banheiros eram de quem chegasse. De quem quisesse. Contabilizei quantos banhos precisaria tomar. Só digo isso.
 ...
O atendente parou em frente à porta do quarto e explicou, enquanto fazia a demonstração:
- Essa porta tem um jeitinho para abrir, ó. É assim – disse, fazendo uma manobra milagrosa.  
- Entendeu?
- Acho que sim...
- Quer tentar?
Querer eu não queria, mas larguei a mochila no corredor e tentei.
Consegui. Agradeci. Fiquei a sós.
A porta aberta. A mochila no corredor. A voz do homem na cabeça, ecoando:
- Os hotel tão tudo cheio.
- Os hotel tão tudo cheio.
- Os hotel tão tudo cheio.
A porta fechada. A mochila nas mãos. A minha voz e a voz do homem na cabeça, ecoando:
- Os hotel tão tudo cheio.
- Será que consigo abrir essa porta pela manhã?
- É o que tem pra hoje, mademoiselle.

_________________________________________________________________________
Nota da autora: é ficção, vivente.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Algumas "letras" sobre um mestre

Foto de Cristiane Lautert
Sempre vale a pena conhecer um pouco mais de pessoas interessantes. Elenor José Schneider é, sem dúvida, uma delas. Licenciado em 1973, é especializado em Teoria Literária (1978-1979) e Mestre em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), 1994. Ele relata sua jornada no ensino e as mudanças pelas quais passou ao lecionar para distintas gerações. Atual coordenador do curso de Letras, Elenor explica como trabalha a diferença entre os alunos, e revela: “o mais importante de tudo, eu diria, não foi aquilo que ensinei, mas aquilo que aprendi com eles”.


Cristiane Lautert Soares: O senhor é coordenador do curso de Letras da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), mas leciona para acadêmicos de outros cursos. Como lida com os diferentes níveis de interesse e conhecimento dos estudantes?

Elenor José Schneider: Para mim, essa foi uma questão de longo aprendizado. Já trabalhei com praticamente todos os cursos da Unisc. Leciono Literatura para o curso de Letras e desde 1994 oriento a disciplina de Monografia. Transitei pelo curso a vida toda: como aluno e, depois, como professor. Todas as turmas me ensinaram muito. O mais importante de tudo, eu diria, não foi aquilo que ensinei, mas aquilo que aprendi com eles. Aprendi que cada turma e cada curso tinham um perfil diferente e comecei a me preocupar com isso: para quem vou lecionar? Quem serão meus alunos? Para onde eles querem ir e o que querem fazer com aquilo que vou ensinar? Essas são questões básicas às quais me proponho examinar. Para o Jornalismo, por exemplo, é muito fácil dar aula porque os alunos, de forma geral, sabem que é importante ler e escrever - sem isso, nem estão no lugar certo. Muitos colegas meus perguntam: “Elenor, como tu consegues dar aula para turmas enormes”? Eu sempre digo: lê bem a turma. Faz um diagnóstico claro no começo. Isso resulta num bom trabalho.


C.L.S: Como surgiu a ideia da publicação dos livros As vozes Inquietas de Reynaldo Moura (1996) e Fragmentos de Vida (1999), organizado com Carina Santos de Almeida?

E.J.S.: As vozes inquietas de Reynaldo Moura é minha dissertação de mestrado. Reynaldo era um autor gaúcho bem desconhecido, embora haja estudiosos – eu fui um deles -, que resgataram sua obra. Pegamos a obra dele, editamos e a Editora da Unisc (Edunisc) publicou. É uma edição esgotada hoje e já não faço questão de reeditar. Ela acabou nas mãos de estudiosos de Reynaldo Moura - há um grupo em Santa Maria e um em Caxias do Sul. O acervo literário dele está na PUCRS e, inclusive, uma professora de lá foi minha orientadora de dissertação. A ideia nasceu daí.
Quanto ao Fragmentos de vida, na verdade, sou organizador. É um livro sobre os 150 anos da imigração alemã e merece uma nova edição. As pessoas escreveram histórias muito bonitas sobre a questão da imigração, nós classificamos 20 delas e publicamos o livro. Ele foi muito lido e teve uma tiragem alta na primeira edição. Sei que foi até para a Alemanha, enviado por pessoas que têm parentes lá. O livro circulou muito. Inclusive, foi usado como brinde pela Unisc para presentear empresas e fornecedores em final de ano.


C.L.S.: Há pretensão de publicar outras obras?

E.J.S.: Essa é uma questão que me cobro muito. Tenho uma extensa pesquisa sobre o contrabando na literatura gaúcha. Ela foi recomendada para publicação e eu não me dediquei a isso. Esse material está parado. Pesquisei sobre como o tema ‘contrabando’ é tratado na poesia, no romance, no conto e na música do Rio Grande do Sul. Somos um Estado que possui muitos quilômetros de fronteira seca e isso favoreceu o contrabando. Não o de hoje - da violência, das armas e das drogas -, mas o da farinha de trigo, de rádios, de utensílios e coisas básicas que as pessoas utilizavam muito. É um trabalho que me encantou. Vou me dedicar a isso a qualquer momento para publicar esse livro.


C.L.S.: Sua jornada no magistério é longa. Como é levar o ensino a gerações tão distintas?

E.J.S.: Há uma coisa que acredito ser importante nessa história: comecei a lecionar no ensino superior enquanto ainda era aluno acadêmico. Faltava um ano inteiro para cumprir no curso de Letras e eu já era professor da Unisc. Era aluno e lecionava. Vivi uma situação muito peculiar e sou uma das raras figuras neste sentido aqui dentro da universidade. Com 23 anos eu já era professor. Dei aula para a 1ª turma de Administração de Empresas, aqui de Santa Cruz do Sul, composta por 50 estudantes, todos mais velhos do que eu. Todos. Hoje, certamente dou aula para seus netos. Acho isso fantástico. Tenho muitos alunos que me dizem: “minha mãe foi tua aluna”. São gerações. Penso que isso é normal porque me fixei nessa profissão, não fiquei perambulando por outras. Dediquei-me a isso e cedo ou tarde iria me deparar com essa situação. Certamente ainda vou encontrar muitas pessoas assim. Penso que as realidades são muito diferentes e a educação mudou radicalmente nesse tempo em que sou professor. Sou completamente diferente do que era há 20 anos, com certeza. Completamente diferente. Sou exigente, mas de outra forma, usando outros mecanismos. Os alunos mudaram e o mundo também. É fantástico. Se antes as pessoas tinham traumas em usar calculadora na aula de matemática, hoje, há um celular na mão de cada um. É uma realidade completamente diferente. A pesquisa era feita em livros, enciclopédias; agora, você entra no Google. Não tenho nenhuma saudade, nenhuma lamentação em torno disso. Foi muito bom naquele tempo e é muito bom agora.
      
                                                                                                               
C.L.S.: Quais lembranças mais marcaram esses anos de ensino? Há algum acontecimento a relatar?

E.J.S.: Sempre fui considerado um professor muito exigente no curso de Letras e em outros cursos em que trabalho, mas o que me surpreende muito é o fato de ser o professor que mais foi paraninfo na Unisc. Serei paraninfo da minha 28ª turma, em janeiro, com uma novidade: serão duas turmas na mesma formatura - Secretariado e Letras. É uma linha de conduta: o fato de ser exigente não significa que não possa ter uma aproximação das pessoas. Isso marca muito o meu trabalho como professor. Ter proximidade com os alunos e, ao mesmo tempo, cobrá-los o máximo que posso. Sempre digo que não é para mim que cobro, mas para eles. Lembro-me de uma ocasião em que o pai de uma aluna do curso de Comunicação Social estava com sério problema cardíaco. Ela era de Rosário do Sul e eu a apoiei muito. No dia de Natal ela me ligou para agradecer o apoio que eu havia dado e dizer que o pai estava bem. Claro que tenho muitas histórias bonitas. Isso se dá quando percebemos que o aluno não é só uma máquina de produzir conteúdo e saber. É uma pessoa também.


C.L.S.: Se Elenor José Schneider não fosse professor, o que seria?

E.J.S.: Penso que seria jornalista. Na verdade, era meu grande desejo quando terminei o ensino médio. Queria fazer Jornalismo. Sou natural de Cruzeiro do Sul e me sentia muito pequeno para ir morar em Porto Alegre. Tinha um pouco daquele deslumbramento: “como é que eu vou viver”? Se eu tivesse coragem de sair de Cruzeiro naquela ocasião, teria feito Jornalismo e, certamente, estaria trabalhando na área até hoje.  Gosto muito dessa parte de comunicação. Gosto de trabalhar com o curso.                                                   

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A dor do outro

Foto: Juliana Bencke

O sol visitava, envergonhado, a manhã da Capital Nacional do Chimarrão. Era um dia gelado. Os que se atreviam ou precisavam sair à rua – meu caso – estavam tão intimidados pelo frio quanto o sol. Só a dor parecia não se importar com as condições climáticas. A dor não respeita o frio. A dor não escolhe a quem atinge. E foi nesse dia que a dor visitou um desconhecido - desses, que estão perto de mim todos os dias -, e que não conheço por indiferença disfarçada de falta de tempo.

Enquanto esperava pelo horário do próximo compromisso – e eis a ironia da “falta de tempo” -, em vez de procurar refúgio ao sol, visitei a Igreja Matriz São Sebastião Mártir, em Venâncio Aires. Não frequento igrejas católicas, mas gosto - sempre que tenho a oportunidade - de observar a riqueza arquitetônica, os vitrais, os afrescos. Fico atenta ao silêncio ou às rezas repetidas em sussurros.
O templo estava vazio. Sentei-me. Observei. Silêncio. Ouvi passos. Ouvi choro. Um pranto doído. Partilhei a dor em silêncio. Para a mulher que chorava, o calor daquele dia frio resumia-se às lágrimas quentes que deslizavam pelo rosto, ou ao calor da fé. Não sei dizer. 

Entrei em conflito: um abraço ajudaria? E se ela estiver rezando?
Talvez eu fosse atrapalhar. Talvez um abraço fosse exatamente o que ela esperava.
Contrariando a falta de tempo na qual sempre me apoio, esperei. Ondas de choro ecoavam baixinho pela catedral. Doía em mim e eu ao menos sabia a razão pela qual me importava tanto. Ver alguém chorar sem conhecer o motivo sempre faz com que eu levante várias hipóteses. Mais do que isso: deixa-me impotente.

Eu não sei da dor do outro. Sei da minha.
E a minha dor doía com a dor do outro.
Às vezes, a dor alheia é mais nossa do que imaginamos.

Os minutos se arrastavam e eu não conseguia dar cabo ao conflito interno. Ela saiu, devagar. Remoí algum tempo sobre o que havia acontecido. Resolvi sair ao sol e tocar em frente os planos para o dia - faria uma entrevista com um médico, em poucos minutos. 

Ela ainda chorava, sentada à escadaria da igreja. Passei por ela e dei mais alguns passos. Senti o ar frio da manhã invadir os pulmões. Senti o aperto na garganta e segurei com força – como se resolvesse - a agenda que estava em minhas mãos. Se a primeira oportunidade de fazer o que gostaria que me fizessem havia passado, eu estava a ponto de colocar a segunda no lixo. Mas o impulso, assim como a dor, também não pede licença. Quando dei por mim, caminhava na direção da moça. 

Engraçado como o abraço não tem medo do frio. Nem da dor.
É espantoso como um abraço prevê outro, sem que seja preciso anunciá-lo. Abracei. Percebi que chorava e que as palavras eram desnecessárias. Fiquei ali, calei. 
Às vezes, a dor alheia é mais nossa do que imaginamos.
Despedi-me.
- Fique firme. Deus pode mudar qualquer quadro – disse. 
Ela balançou a cabeça. 
- Muito obrigada pelo teu abraço. Significou muito - respondeu, entre lágrimas, a mulher cujo nome e motivo da dor desconheço, mas que, indubitavelmente,  faz parte da minha história.

Sentir compaixão é indício de que se está vivo por dentro.

 ...
_____________________________________________________________________
Crônica publicada no Jornal Unicom /2011

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Fotografias aleatórias reunidas

Oi, galera, hahaha como se ainda houvesse alguém que entra nesse blog tudo bem? Reuni algumas fotos que fiz em um único vídeo. Ele foi upado em alta definição no Youtube, então você pode escolher e vai fazer isso, claro assisti-lo em 720p (HD). Se gostar, comenta. Se não gostar, finge que nem viu e todo mundo fica feliz! 


quarta-feira, 8 de junho de 2011

Vejo, logo invejo


Confissão de pecados: “Invejo o estilo machadiano de escrever e a capacidade intelectual de algumas pessoas. Invejo os sortudos que não precisam andar de ônibus todo o santo dia para ir à universidade. Quando “forever alone”, invejei casais apaixonados trocando carícias na frente dos encalhados. Acrescento à lista de invejados os moradores de regiões quentes, que postam em suas redes sociais fotos de um belo dia de sol na praia, enquanto tremo mais do que vara verde com o frio do Sul”.
 Invejas confessadas e, creio, nada prejudiciais. Entendo-as como um modo particular de admitir que não posso ter tudo quanto quero. Inveja-se o que os outros são ou têm - ou o que se pensa que são ou têm. É claro que nem todo elemento motivador desse pecado capital se enquadra no padrão da “inveja branca”. Nem todo. Inveja-se, também, por incompetência. Inveja-se por acomodação.
O escritor espanhol Francisco de Quevedo, do século XVII, disse que “a inveja é assim tão magra e pálida porque morde e não come”. O conceito, proferido há séculos, ainda é válido. O invejoso incompetente e acomodado contenta-se em “observar” e nada fazer. É mais cômodo lançar olhares enviesados sobre o que pertence a outro do que buscar alcançar o mesmo, ou, na melhor das hipóteses, alcançar mais.
Adeptos da magra e pálida prática deveriam usá-la como impulso para a mudança. Ainda que a inveja seja uma motivação pouco saudável, pode fazer com que o cidadão saia do lugar em vez de perder tempo com a vida e a felicidade alheia. Aos invejados – quer pelos praticantes da “inveja branca”, quer pelos incompetentes de plantão -, nada de estresse; deixo a sábia frase de Quevedo: “Virtude invejada é duas vezes virtude”. 

 _________________________________________________________________ 
Crônica elaborada para o Unicom - Jornal Laboratório do curso de Comunicação Social da Unisc. Tema: 7 Pecados Capitais.

domingo, 1 de maio de 2011

Debate diplomático


A obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão de jornalista foi considerada inconstitucional, em junho de 2009, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para os ministros, as exigências contidas no artigo 4º, inciso V do Decreto-Lei de nº 972/69, ferem a liberdade de imprensa e impedem a livre manifestação do pensamento. A discussão sobre a formação superior como legitimadora do campo do jornalismo não é recente, e fez parte do debate de abertura do 1º Encontro Gaúcho de Ensino de Jornalismo (EGEJ), realizado na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), em abril deste ano. Para repensar e discutir a responsabilidade social dos que atuam na tarefa de dar a conhecer a realidade, é necessário que se discuta sua educação profissional.

O argumento de que a exigência do diploma contraria o direito à liberdade de expressão parece ingênuo. Ora, nenhum cidadão é proibido de manifestar-se publicamente por meio da imprensa, como pode-se comprovar pela quantidade de artigos especializados disponíveis na mídia, assinados por profissionais das mais diversas áreas. A defesa da regulamentação profissional vai além do interesse das corporações – quer das instituições de ensino superior, quer dos grupos de comunicação: é intrínseca às necessidades da sociedade. Luiz Beltrão (1960, p. 38) afirmou que o jornalismo se constitui numa espécie de fonte de energia, que impele a sociedade à ação.

Conduzir a coletividade a interpretar o que acontece a sua volta e, com isso, impulsioná-la a agir a favor de seu interesse, exige discernimento. Mais do que objetividade e clareza, a consciência ética do profissional, adquirida através da educação, deve ser norteador de trabalho tão significativo.  Contudo, é importante salientar que a formação superior, por si só, não legitima o saber. De nada vale o canudo, se a teoria não for colocada em prática. Menos valor tem o talento, se a teoria não lapidá-lo. Vocação e instrução devem andar de mãos dadas. 

É de suma importância, para o desenvolvimento social, a atuação de profissionais realmente interessados em servir aos concidadãos, comprometidos com a prática e a teoria; a ética e a responsabilidade. A função pública do jornalismo deve continuar sendo discutida entre a sociedade, as instituições de ensino, os jornalistas e sindicatos representantes. São os debates e as defesas de causa que fazem os grupos permanecerem ativos. Enquanto a exigência do diploma for debatida visando o bem-estar da sociedade, nada se perde.
___________________________________________________________________
Trabalho desenvolvido para a disciplina de Jornalismo Impresso II, ministrada pelo professor Hélio Etges. 

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Crise estilo-jornalística

É difícil encontrar as palavras quando você está se lixando, visto que ninguém ouve mesmo elas não têm pretensão alguma de serem encontradas. Há quanto tempo não escrevo? Não, não falo do blog. Falo de sentar a bunda na cadeira me dedicar a um texto sem ter obrigação de escrevê-lo. Escrever sem estar preocupada com a porcaria da nota da facul nada. Escrever por escrever, como eu sempre fazia. 

Quando foi que me perdi?

Parece-me que os textos estão engessados. Os meus "escritos", antes verdes, não amadureceram. Pularam essa fase. Não digo que estão podres porque sempre tem um espertinho que conclui sozinho. Ponho toda a culpa no "estilo". Não toda. Mentira. Ponho sim.

Use verbos de ação. 
Respeite o limite de caracteres.
Descarte os pronomes. 
Não seja besta de se meter com adjetivos.
Seja claro. Objetivo. Neutro. 
Não repita palavras.
Diga a que veio.

Eu vim para escrever um texto. Quero encontrar eu ia usar a palavra "achar", mas não é o ideal, já que "encontrar" fica mais bonito o sabor das palavras brincadas, soltas, bobas. Quero ó eu repetindo palavras aí, gente! colocar a emoção, o gosto, o tempero e a poesia em meus textos. Aqui, pode. E quando eu souber separar o estilo pré-determinado e a ousadia das palavras poderei dizer que aprendi a escrever.

Até lá, a gente vai tentando a gente vai tentando. É isso.