domingo, 1 de maio de 2011

Debate diplomático


A obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão de jornalista foi considerada inconstitucional, em junho de 2009, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para os ministros, as exigências contidas no artigo 4º, inciso V do Decreto-Lei de nº 972/69, ferem a liberdade de imprensa e impedem a livre manifestação do pensamento. A discussão sobre a formação superior como legitimadora do campo do jornalismo não é recente, e fez parte do debate de abertura do 1º Encontro Gaúcho de Ensino de Jornalismo (EGEJ), realizado na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), em abril deste ano. Para repensar e discutir a responsabilidade social dos que atuam na tarefa de dar a conhecer a realidade, é necessário que se discuta sua educação profissional.

O argumento de que a exigência do diploma contraria o direito à liberdade de expressão parece ingênuo. Ora, nenhum cidadão é proibido de manifestar-se publicamente por meio da imprensa, como pode-se comprovar pela quantidade de artigos especializados disponíveis na mídia, assinados por profissionais das mais diversas áreas. A defesa da regulamentação profissional vai além do interesse das corporações – quer das instituições de ensino superior, quer dos grupos de comunicação: é intrínseca às necessidades da sociedade. Luiz Beltrão (1960, p. 38) afirmou que o jornalismo se constitui numa espécie de fonte de energia, que impele a sociedade à ação.

Conduzir a coletividade a interpretar o que acontece a sua volta e, com isso, impulsioná-la a agir a favor de seu interesse, exige discernimento. Mais do que objetividade e clareza, a consciência ética do profissional, adquirida através da educação, deve ser norteador de trabalho tão significativo.  Contudo, é importante salientar que a formação superior, por si só, não legitima o saber. De nada vale o canudo, se a teoria não for colocada em prática. Menos valor tem o talento, se a teoria não lapidá-lo. Vocação e instrução devem andar de mãos dadas. 

É de suma importância, para o desenvolvimento social, a atuação de profissionais realmente interessados em servir aos concidadãos, comprometidos com a prática e a teoria; a ética e a responsabilidade. A função pública do jornalismo deve continuar sendo discutida entre a sociedade, as instituições de ensino, os jornalistas e sindicatos representantes. São os debates e as defesas de causa que fazem os grupos permanecerem ativos. Enquanto a exigência do diploma for debatida visando o bem-estar da sociedade, nada se perde.
___________________________________________________________________
Trabalho desenvolvido para a disciplina de Jornalismo Impresso II, ministrada pelo professor Hélio Etges.