quarta-feira, 8 de junho de 2011

Vejo, logo invejo


Confissão de pecados: “Invejo o estilo machadiano de escrever e a capacidade intelectual de algumas pessoas. Invejo os sortudos que não precisam andar de ônibus todo o santo dia para ir à universidade. Quando “forever alone”, invejei casais apaixonados trocando carícias na frente dos encalhados. Acrescento à lista de invejados os moradores de regiões quentes, que postam em suas redes sociais fotos de um belo dia de sol na praia, enquanto tremo mais do que vara verde com o frio do Sul”.
 Invejas confessadas e, creio, nada prejudiciais. Entendo-as como um modo particular de admitir que não posso ter tudo quanto quero. Inveja-se o que os outros são ou têm - ou o que se pensa que são ou têm. É claro que nem todo elemento motivador desse pecado capital se enquadra no padrão da “inveja branca”. Nem todo. Inveja-se, também, por incompetência. Inveja-se por acomodação.
O escritor espanhol Francisco de Quevedo, do século XVII, disse que “a inveja é assim tão magra e pálida porque morde e não come”. O conceito, proferido há séculos, ainda é válido. O invejoso incompetente e acomodado contenta-se em “observar” e nada fazer. É mais cômodo lançar olhares enviesados sobre o que pertence a outro do que buscar alcançar o mesmo, ou, na melhor das hipóteses, alcançar mais.
Adeptos da magra e pálida prática deveriam usá-la como impulso para a mudança. Ainda que a inveja seja uma motivação pouco saudável, pode fazer com que o cidadão saia do lugar em vez de perder tempo com a vida e a felicidade alheia. Aos invejados – quer pelos praticantes da “inveja branca”, quer pelos incompetentes de plantão -, nada de estresse; deixo a sábia frase de Quevedo: “Virtude invejada é duas vezes virtude”. 

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Crônica elaborada para o Unicom - Jornal Laboratório do curso de Comunicação Social da Unisc. Tema: 7 Pecados Capitais.