quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A dor do outro

Foto: Juliana Bencke

O sol visitava, envergonhado, a manhã da Capital Nacional do Chimarrão. Era um dia gelado. Os que se atreviam ou precisavam sair à rua – meu caso – estavam tão intimidados pelo frio quanto o sol. Só a dor parecia não se importar com as condições climáticas. A dor não respeita o frio. A dor não escolhe a quem atinge. E foi nesse dia que a dor visitou um desconhecido - desses, que estão perto de mim todos os dias -, e que não conheço por indiferença disfarçada de falta de tempo.

Enquanto esperava pelo horário do próximo compromisso – e eis a ironia da “falta de tempo” -, em vez de procurar refúgio ao sol, visitei a Igreja Matriz São Sebastião Mártir, em Venâncio Aires. Não frequento igrejas católicas, mas gosto - sempre que tenho a oportunidade - de observar a riqueza arquitetônica, os vitrais, os afrescos. Fico atenta ao silêncio ou às rezas repetidas em sussurros.
O templo estava vazio. Sentei-me. Observei. Silêncio. Ouvi passos. Ouvi choro. Um pranto doído. Partilhei a dor em silêncio. Para a mulher que chorava, o calor daquele dia frio resumia-se às lágrimas quentes que deslizavam pelo rosto, ou ao calor da fé. Não sei dizer. 

Entrei em conflito: um abraço ajudaria? E se ela estiver rezando?
Talvez eu fosse atrapalhar. Talvez um abraço fosse exatamente o que ela esperava.
Contrariando a falta de tempo na qual sempre me apoio, esperei. Ondas de choro ecoavam baixinho pela catedral. Doía em mim e eu ao menos sabia a razão pela qual me importava tanto. Ver alguém chorar sem conhecer o motivo sempre faz com que eu levante várias hipóteses. Mais do que isso: deixa-me impotente.

Eu não sei da dor do outro. Sei da minha.
E a minha dor doía com a dor do outro.
Às vezes, a dor alheia é mais nossa do que imaginamos.

Os minutos se arrastavam e eu não conseguia dar cabo ao conflito interno. Ela saiu, devagar. Remoí algum tempo sobre o que havia acontecido. Resolvi sair ao sol e tocar em frente os planos para o dia - faria uma entrevista com um médico, em poucos minutos. 

Ela ainda chorava, sentada à escadaria da igreja. Passei por ela e dei mais alguns passos. Senti o ar frio da manhã invadir os pulmões. Senti o aperto na garganta e segurei com força – como se resolvesse - a agenda que estava em minhas mãos. Se a primeira oportunidade de fazer o que gostaria que me fizessem havia passado, eu estava a ponto de colocar a segunda no lixo. Mas o impulso, assim como a dor, também não pede licença. Quando dei por mim, caminhava na direção da moça. 

Engraçado como o abraço não tem medo do frio. Nem da dor.
É espantoso como um abraço prevê outro, sem que seja preciso anunciá-lo. Abracei. Percebi que chorava e que as palavras eram desnecessárias. Fiquei ali, calei. 
Às vezes, a dor alheia é mais nossa do que imaginamos.
Despedi-me.
- Fique firme. Deus pode mudar qualquer quadro – disse. 
Ela balançou a cabeça. 
- Muito obrigada pelo teu abraço. Significou muito - respondeu, entre lágrimas, a mulher cujo nome e motivo da dor desconheço, mas que, indubitavelmente,  faz parte da minha história.

Sentir compaixão é indício de que se está vivo por dentro.

 ...
_____________________________________________________________________
Crônica publicada no Jornal Unicom /2011

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Fotografias aleatórias reunidas

Oi, galera, hahaha como se ainda houvesse alguém que entra nesse blog tudo bem? Reuni algumas fotos que fiz em um único vídeo. Ele foi upado em alta definição no Youtube, então você pode escolher e vai fazer isso, claro assisti-lo em 720p (HD). Se gostar, comenta. Se não gostar, finge que nem viu e todo mundo fica feliz!