terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Diálogos (im)pertinentes

-  Tô organizando uma nova programação na rádio da empresa. Quais músicas tu gostarias de ouvir ao entrar em um mercado?
-  Eu gostaria de ouvir o bom e velho rock and roll, mas isso só seria possível num mundo perfeito.
- Tô colocando bastante pop rock.
- Coloca alguma coisa gospel. Mais da metade da cidade frequenta alguma igreja.
- Gospel em inglês, né?
- Por quê?
- Meus chefes são preconceituosos quanto a isso.
- Eles não são preconceituosos em inglês, então?

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Do bloqueio para escrever

O cursor pisca.

O blog, abandonado, pede um texto.

A ideia sobrevoa o pensamento sem fazer ninho.

Quem vence a jogada é o bloqueio.

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domingo, 1 de janeiro de 2012

Um balanço de final de ano

            - Como fazer um balanço de final de ano sem se repetir?
- Fazendo coisas diferentes em cada ano?
  
Em 2011...
Fiz pouquíssimas postagens no blog, mas, para compensar, reclamei muito. Reclamar não muda as coisas, mas também não custa nada. Reclamei do IPVA, do mau atendimento nos estabelecimentos, da falta de bom senso, da chatice das pessoas, dos funkeiros nos ônibus, de uma lista infindável de coisas.

Reclamar: não muda, mas não custa

Senti saudade do verão, dos amigos que partiram, da infância. Senti saudade de gente presente. Tive pesadelos cinematográficos. Chorei abraçada a uma estranha num dia frio. Fiz rima. Fiz freela. Recusei oferta de emprego. Tomei banho de chuva. Ganhei rosas. Cortei o cabelão. Vi o Orkut virar fumaça e o Facebook virar Orkut. Não comprei vinis nem CDs. Gravei entrevistas em fitas K7. Tive calázio, dor de cabeça e falta de paciência. Engoli chiclete. Lembrei-me, imediatamente, do aviso tão presente na infância:
- Não engole o chiclete porque gruda nas tripas - advertia a mãe. O medo era grande. A memória, imediata.
           
Tranquei três dedos numa porta, não li uma porrada de e-mails. Não fui à praia, mas pensei seriamente em jogar meia dúzia de sacos de sal na piscina, esparramar areia em volta, e contratar alguém para agitar a água. Voilá: uma praia. 

A fonte do teclado (quem se lembra do balanço de 2010?) não estava queimada. O problema é maior do que eu imaginava: o teclado está queimado. Lá se vão outros tantos meses para o conserto. Livrei-me da tecnologia CDMA. Sim, senhores, eu ainda tinha, até o dia 24 de dezembro, um celular sem chip, que passou a maior parte do ano sem créditos. Temperamental, funcionava quando queria. Na Unisc, nunca. No entanto, despertava certinho.

Escrevi meia dúzia de textos, publiquei uns aqui e ali. Ganhei segundo lugar num concurso literário (se fosse de beleza, teria mais repercussão?), saí no jornal. Perdi vários marcadores de livros, ganhei livros, fiz com que outros lessem livros, comprei livros, li 21 livros. 

             
Meus amigos me deram verdadeiras aulas sobre como ser forte em situações nas quais a maioria desaba. Vi uma esposa acreditar no milagre quando a situação era aterradora. Vi o milagre dela, sentado numa poltrona, sorrindo e conversando, contrariando o impossível. 

Amigos antigos retornaram ao meu convívio e encheram os meus dias de brilho. Outros me decepcionaram, mas também me ensinaram que presença a gente não impõe. Ou te querem por perto ou não. A pessoa linda (oi, Ismael!) que conheci em 2010 me acompanhou durante todo o ano de 2011. Continua sendo lindo. Por dentro e por fora. Mãe está bem, pai também. E como sou grata a Deus por isso!

Fiz coisas aparentemente insignificantes.
Fiz coisas, aparentemente.
Fiz coisas.
Fiz. 

Tudo assim, sem aparente ligação, do jeito que a vida é.
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Foto 1 -
Sias van Schalkwyk (sxc.hu)
Foto 2 - Zsuzsanna Kilian (sxc.hu)